
Minha alma xamã

" A consciência Suprema ocultou-se em sua mente. Ela está escondida através da cortina do seu eu. Você não precisa ir às montanhas do Himalaia para descobrir aquilo que está oculto no seu próprio eu. Será que alguém precisa de um espelho para ver um bracelete no próprio pulso? Portanto o ser Supremo está dentro de você. Há apenas a necessidade de remover o véu do ego. "
Shrii Shrii Anandamurti
“Foi no Xamanismo em que aprendi a ouvir meu coração, minha alma e meu corpo. Acredito que o verdadeiro poder está dentro de cada um. Em meus atendimentos, busco inspirar as pessoas para que elas possam se conhecer melhor. Com autoconhecimento é possível desenvolver seus próprios dons e despertar para uma vida mais conectada com o sagrado, com o natural e com a autocura” – Tânia Mara.
O que define um ser humano? Sua essência, sua história, sua trajetória? Para mim, cada um é composto de um todo, muito amplo e sem fronteiras. É nisso que penso quando me perguntam sobre como aprendi e cheguei no Xamanismo.
Não aprendi as técnicas xamânicas em retiros com tribos e viagens para florestas remotas, mas isso não me impediu de acessar o Xamanismo. Por ser um conhecimento de origem ancestral, está disponível para todos aqueles que abrirem suas mentes e seus corações. A Natureza – o pai céu e a mãe terra - está em todo o lugar.
Vivo, sinto, respiro e respeito a Natureza. Essa conexão é muito profunda e trago comigo desde muito cedo. Apesar de meus avós maternos serem bugres, não foi essa relação sanguínea que me levou até o xamanismo. A responsável foi minha criação, tão próxima com o nativo.
Ainda na infância, nascida e criada no interior em Soledade e Passo Fundo aprendi a cuidar e honrar a terra. Aprendi a ouvir o vento, a cuidar das plantas. Aprendi sobre as ervas, que nos curavam quando adoecíamos. E também aprendi os rezos de minha vó (que igualmente nos curavam).
A simplicidade de nossa vida nos levou a plantar para comer, a criar animais para o sustento e para o trabalho, a buscar água no rio. A viver juntos e próximos. A ver e viver a natureza com respeito e assombro.
Com a mudança, na adolescência, para Porto Alegre, essa conexão se perdeu. Junto com ela, vi minha saúde sucumbir. E quando parecia não haver mais esperanças, despertei novamente para o meu mundo, o natural.
Hoje, curada, vivo no centro da capital, rodeada de prédios, carros, concreto, mas, ainda assim, extremamente conectada com os ensinamentos da mãe terra.
Não é preciso estar no meio da mata para viver o natural, assim como não é impossível estar conectada com a natureza no meio do mundo urbano. Consigo me curar com os chás e plantas que cultivo em vasos no meu pequeno apartamento. Passo os valores que tenho para os meus pequenos, ensinando a valorizar cada ser vivo, cada astro, cada pássaro que encontramos na rua, cada borboleta que entra em nossa casa, cada formiga que cruza o nosso caminho.
Assim é que somos construídos: de dentro para fora. Independente do lugar e do tempo em que vivemos. Honro, aceito e sou grata por minha alma xamã me permitir viver essa experiência, nesse tempo, nessa terra, nesse corpo. Mitakuye Oyasin

